sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Trocar uma doença pela outra

“Há trinta anos, três de cinco egípcios sofriam de esquistossomose (bilharziose), doença que debilita o paciente e que é causada por parasitas que se desenvolvem nos caramujos”, diz The Economist. Campanhas para erradicar a esquistossomose com o uso de novos medicamentos conseguiram reduzir radicalmente a praga. Mas pelo visto uma das campanhas iniciais “expôs milhões de pessoas à hepatite C, um vírus letal que pode tomar o lugar da esquistossomose como o problema de saúde N.° 1 do Egito”. Isso porque ao aplicar injeções em portadores da esquistossomose “o procedimento era reutilizar as agulhas e na maioria das vezes sem esterilizá-las corretamente.  . . . Foi só em 1988 que os cientistas vieram a identificar o vírus da hepatite C (HCV) transmitido pelo sangue”, diz a revista. As pesquisas atuais mostram que o Egito tem “o maior número de casos de hepatite C do mundo”. Consta que cerca de 11 milhões de egípcios, aproximadamente 1 de cada 6, são portadores da doença e que em 70% dos casos a conseqüência é uma doença crônica do fígado com 5% de fatalidade. O artigo classifica o ocorrido como “o maior caso de transmissão de doença virótica causada por médicos, de que se tem conhecimento”, e acrescenta: “Resta o consolo de que sem essas campanhas em massa, muitos mais teriam morrido de esquistossomose.”


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