sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Os prós e os contra da globalização parte

*** g02 22/5 pp. 3-6 Os prós e os contras da globalização ***
Os prós e os contras da globalização
“A globalização é o grande evento econômico de nossa era. . . . Ela abre oportunidades inéditas a bilhões de pessoas no mundo.” — MARTIN WOLF, COLUNISTA FINANCEIRO.
“Nós, o povo da Terra, somos uma grande família. Entramos numa era que apresenta novos desafios e novos problemas globais, como catástrofes ambientais, esgotamento de recursos, conflitos sangrentos e pobreza.” — EDUARD SHEVARDNADZE, PRESIDENTE DA GEÓRGIA.
EM DEZEMBRO de 1999, a conferência da Organização Mundial do Comércio realizada em Seattle, EUA, foi interrompida por uma manifestação. Para restabelecer a ordem, a polícia usou gás lacrimogêneo, balas de borracha e spray de pimenta. Centenas de manifestantes foram presos.
O que provocou a “batalha de Seattle”? Uma longa lista de protestos envolvendo estabilidade no emprego, meio ambiente e injustiça social. Mas em síntese, o que os manifestantes temiam era a globalização — e seus efeitos sobre as pessoas e o planeta.
Seus temores não diminuíram. Desde 1999, manifestações antiglobalização aumentaram em tamanho e força. Em alguns casos, os líderes mundiais procuram agora realizar seus fóruns em locais isolados, de difícil acesso aos manifestantes.
É claro que nem todos encaram a globalização como ameaça. Ao passo que alguns a condenam como a causa de todos os males do mundo, outros a aclamam como a solução para grande parte dos problemas do mundo. É verdade que esse debate pode parecer irrelevante para a maioria da humanidade que tem uma noção muito vaga do que é a globalização. Mas não importa qual o seu ponto de vista sobre o assunto, você já está sendo afetado pela globalização, e provavelmente o será muito mais no futuro.
O que é globalização?
“Globalização” é o termo que vem sendo usado para definir a crescente interdependência de povos e países. Esse processo se acelerou dramaticamente na última década, em especial por causa dos grandes avanços tecnológicos. (Veja o quadro na página 5.) Nesse período ruíram as barreiras da Guerra Fria entre os dois blocos de nações. Houve também um estímulo ao comércio internacional, os grandes mercados financeiros do mundo foram integrados e viajar se tornou mais barato e mais fácil.
A crescente integração mundial produziu uma série de conseqüências econômicas, políticas, culturais e ambientais. Infelizmente, algumas delas foram negativas. A publicação Relatório de Desenvolvimento Humano 1999 comentou: ‘A redução do espaço e do tempo e o desaparecimento de fronteiras ligam a vida das pessoas mais profundamente, mais intensamente e mais diretamente que no passado. Isso abre muitas oportunidades e possibilidades, tanto para o bem como para o mal.’ Assim como inúmeras outras realizações humanas, a globalização tem o seu lado positivo e o seu lado negativo.
Esperança de um mundo mais próspero
Amartya Sen, prêmio Nobel em economia, diz que a globalização “deu uma grande contribuição científica e cultural ao mundo, além de beneficiar a muitos em sentido econômico”. O Relatório de Desenvolvimento Humano 1999 também diz que a globalização “oferece um enorme potencial para erradicar a pobreza no século XXI”. A razão de tanto otimismo é o aumento dramático na prosperidade que veio em seu rastro. A renda da família mediana no mundo é três vezes maior hoje do que há 50 anos.
Há analistas que vêem outra vantagem na integração econômica: acham que ela fará com que os países relutem mais em travar guerras. Thomas L. Friedman, no livro The Lexus and the Olive Tree (O Lexus [linha de carros de luxo] e a Oliveira), garante que a globalização “aumenta os incentivos para não se travarem guerras, tornando-as mais onerosas em muito mais aspectos do que em qualquer época anterior na história moderna”.
A maior interação entre as pessoas também tende a aumentar a solidariedade global. Algumas organizações de direitos humanos têm sido bem-sucedidas em utilizar os recursos da Internet para promover suas causas. Só para citar um exemplo, o tratado internacional de proibição de minas terrestres, de 1997, foi conseguido em parte devido ao uso do correio eletrônico a fim de mobilizar diversos grupos de apoio do mundo todo. Essa mobilização da opinião pública foi aclamada como “nova maneira de conduzir a diplomacia internacional, em que governos e cidadãos comuns se unem para enfrentar uma crise humanitária global”.
Apesar dos resultados positivos, muitos temem que os efeitos negativos da globalização possam ser maiores do que os seus benefícios.
Temores de um mundo mais dividido
Provavelmente a preocupação maior com relação à globalização é que ela aumentou o fosso entre os ricos e os pobres. Embora a riqueza global sem dúvida tenha aumentado, ela se acha concentrada nas mãos de menor número de pessoas e países. O patrimônio líquido das 200 pessoas mais ricas da Terra é maior do que a renda conjunta de 40% da população do planeta, ou seja, cerca de 2,4 bilhões de pessoas. E ao passo que os salários continuam a aumentar em países ricos, 80 países pobres tiveram uma diminuição na renda média nos últimos dez anos.
Outra preocupação básica envolve o meio ambiente. A globalização econômica tem sido estimulada pelo mercado mundial que está muito mais interessado em lucro do que na preservação ambiental. Agus Purnomo, diretor do Fundo Mundial para a Natureza na Indonésia, explica o dilema: “Estamos numa corrida constante com o desenvolvimento. . . . Temo que dentro de uma década todos nós teremos consciência da necessidade de preservar o meio ambiente, mas talvez seja tarde demais.”
As pessoas também estão muito inseguras com relação ao emprego. Tanto o número de empregos como os salários encolheram, ao passo que a fusão de grandes corporações e a acirrada competitividade estimulam o enxugamento corporativo. Contratar e demitir trabalhadores conforme as tendências do mercado é vantajoso para uma empresa interessada em aumentar os lucros, mas seu impacto é desastroso na vida das pessoas.
A globalização do mercado financeiro introduziu outro fator desestabilizante. Investidores internacionais talvez injetem grandes somas em países em desenvolvimento, mas logo voltam atrás quando as perspectivas financeiras não são boas. Esse fator pode desencadear a crise econômica em um país após outro. A crise monetária no Leste Asiático em 1998 fez com que mais de 13 milhões perdessem o emprego. Na Indonésia, mesmo os que mantiveram o emprego tiveram o salário reduzido pela metade.

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