segunda-feira, 12 de março de 2012

A aparência ideal tem resultados ideais?

“Aparência ideal” — resultados ideais?
No esforço de conseguir a “aparência ideal” ou apenas estar na melhor forma, muitas pessoas recorrem à cirurgia estética. As técnicas oferecidas nesse ramo da medicina estão se tornando mais baratas e mais variadas. Como teve início a cirurgia estética?
Segundo a Encyclopædia Britannica, as técnicas modernas de cirurgia plástica originaram-se nos anos depois da Primeira Guerra Mundial, quando se faziam esforços para corrigir desfigurações resultantes dos ferimentos de guerra. Desde então, essas técnicas passaram a ser ferramentas valiosas para corrigir graves danos físicos causados por queimaduras, ferimentos traumáticos e anormalidades congênitas. Contudo, como a Britannica reconhece, a cirurgia plástica muitas vezes é “realizada apenas para melhorar a aparência de pessoas saudáveis”. Por exemplo, pode-se reconstruir o nariz, remover o excesso de pele do rosto e do pescoço, reduzir o tamanho das orelhas, eliminar a gordura do abdome e dos quadris, aumentar o tamanho de certas partes do corpo e até mesmo dar uma aparência mais “atraente” ao umbigo.
Mas o que dizer das pessoas saudáveis que procuram realçar sua aparência? Que perigos podem enfrentar? Angel Papadopulos, secretário da Associação Mexicana de Cirurgia Plástica, Estética e Reconstrutora, explica que, às vezes, essas cirurgias são realizadas por pessoas que não são treinadas adequadamente, o que resulta em muitos danos. Há clínicas que administram substâncias perigosas a pacientes que querem emagrecer. No início de 2003, certo jornal relatou um escândalo, devido a condições de higiene precárias, em institutos de beleza nas ilhas Canárias, onde centenas de mulheres tornaram-se vítimas de cirurgias perigosas.
Os homens também podem se deixar levar pela busca da “aparência ideal”. Alguns passam muitas horas em academias, usando praticamente todos os períodos livres para modelar e tonificar o corpo. “Com o tempo”, diz o periódico Milenio, “essa compulsão por exercícios faz com que suas atividades sociais e o relacionamento com outras pessoas enfraqueçam”. A ansiedade para conseguir uma aparência musculosa leva muitos a consumirem substâncias, incluindo os esteróides, que podem prejudicar o corpo.
A obsessão pela aparência pessoal tem feito com que algumas jovens se tornem vítimas de distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia nervosa. Outras usam produtos emagrecedores que prometem resultados extraordinários em pouco tempo, mas que não são aprovados por instituições de saúde respeitáveis. O uso desses produtos pode causar sérios danos.
Os riscos da obsessão com a aparência vão além de problemas físicos. A Dra. Katherine Phillips da Universidade Brown, EUA, disse que pessoas excessivamente preocupadas com a aparência física podem desenvolver transtorno dismórfico corporal, uma doença psicológica em que as pessoas ficam obcecadas com imperfeições imaginárias. Acredita-se que essa doença afete 1 em cada 50 pessoas. Os que a desenvolvem “ficam tão convencidos de sua própria feiúra que passam a isolar-se dos amigos e familiares”, diz a doutora. “A pessoa pode tornar-se depressiva e desenvolver tendências suicidas.” A Dra. Phillips cita o exemplo de uma linda garota que tinha um leve problema de acne, porém estava convencida de que seu rosto estava cheio de cicatrizes. Recusando-se a ser vista em público, a garota abandonou a escola na oitava série.
Será que a aparência é realmente tão importante a ponto de a pessoa sacrificar seu bem-estar mental e físico para obter a “aparência ideal”? Existe uma beleza mais importante pela qual devemos nos esforçar?

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