terça-feira, 18 de setembro de 2012

Obra sobre Agostinho Neto

18-09-2012 13:14
Itália
Embaixada de Angola apresenta obra sobre Agostinho Neto

Roma - A obra “Agostinho Neto e a Libertação de Angola, 1949-1974, Arquivos da PIDE-DGS” foi lançada, nesta segunda-feira, na Universidade Sapienza de Roma, para assinalar o 90° aniversário natalício do pai da independência de Angola.
 
A apresentação do livro, promovida pela embaixada de Angola na Itália no quadro da jornada do herói nacional, foi feita pelo general Mbeto Monteiro Traça, da Fundação Agostinho Neto, secundado pelos professores italianos Simone Celani, da Sapienza, e Alessandro Seixas da Universidade de Florença, que abordaram o tema “A literatura angolana no ambiente académico italiano”.
 
Antigo guarda-costas e secretário de Agostinho Neto, o General Mbeto Traça disse que a história só é de facto história quando é verdadeira e a de Agostinho Neto não tem versões corrigidas, pois apesar das suas convicções politicas ideológicas Neto manteve sempre a sua independência e do Movimento que dirigia.
 
“O impacto do desaparecimento físico de Neto foi avassalador mas não foi por muito tempo. O sentimento de orfandade e o desespero tiveram que ser ultrapassados rapidamente, não para operar uma substituição possível, mas sim uma substituição necessária, e foi com José Eduardo dos Santos, como novo Presidente e novo Comandante-em-chefe que o país prosseguiu a rota definida por Neto, e aceite pelos angolanos” - acrescentou.
 
Na sua opinião, pode-se abordar a figura de Neto sob diversas formas, como poeta, médico, estratega, diplomata e estadista, pois ele foi tudo isso e muito mais.
 
 O livro, segundo Mbeto Traça, é um exaustivo trabalho levado a cabo por investigadores, utilizando os documentos da PIDE-DGS que estão depositados nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa (Portugal). São 5 volumes, com 900 páginas, contendo cada um documentos compilados desde 1949 até 1974.
 
Os documentos, recolhidos ao longo de um quarto de século, demonstram como a polícia secreta portuguesa “vigiou, esquadrinhou, registou, sistematizou e informou selectivamente a vida de Neto, o MPLA e os nacionalistas das colonias portuguesas”.
 
Acrescentou que a consulta dos documentos contidos nestes 5 volumes, agora publicados, deitam por terra a teoria e a ideia de que a PIDE/DGS era uma polícia
uni presente e infalível.
 
A apresentação da obra teve lugar na sala dos Órgãos Colegiais do Senado Académico da Universidade Sapienza de Roma”, a maior universidade pública da Itália e uma das mais antigas da Europa, na presença vice-reitor, professor Antonello Biagini, que agradeceu a Embaixada de Angola e a Fundação Agostinho Neto à preferência pela sua instituição académica para este acto. 
 
 
 
Na ocasião, o Embaixador Florêncio de Almeida procedeu a oferta simbólica de alguns exemplares da obra às universidades Sapienza de Roma, de Florença e de Viterbo e aos embaixadores do Brasil, Cabo Verde, entre outras personalidades e instituições italianas.
 
Foram igualmente distribuídos exemplares da obra Sagrada Esperança, traduzida para o italiano pelo angolano Pedro Francisco Miguel, professor na Universidade Italiana de Bari.
 
O lançamento do livro encerrou o programa de actividades da embaixada, que inscreveu a exibição do filme Kilamba, o Guerrilheiro Poeta, de Orlando Fortunato, e um colóquio-almoço sobre a vida e obra de Agostinho Neto, bem uma exposição fotográfica que ilustra os principais momentos da sua vida.
 
O colóquio foi moderado pelo primeiro representante do MPLA na Itália e actualmente professor universitário em França, Manuel Jorge, e contou com as contribuições da deputada Ângela Bragança, do professor Pedro Francisco, da jornalista Augusta Conchiglia, do académico Mário Albano, do realizador cinematográfico Lienello Massobrio e de outros testemunhos do Brasil, de Cuba e do antigo embaixador italiano em Angola, que enalteceram a figura de Neto como político, humanista, diplomata, internacionalista, estadista e homem de letras.
 
Ao encerrar a jornada, o embaixador angolano na Itália solicitou o apoio de todos e das autoridades italianas para que um busto de Agostinho Neto seja erguido numa das praças de Roma, onde o pai da independência de Angola exerceu intensa actividade diplomática em prol da libertação do seu país e de outros povos.

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