Itália
Embaixada de Angola apresenta obra sobre Agostinho Neto
Roma - A obra
“Agostinho Neto e a Libertação de Angola, 1949-1974, Arquivos da
PIDE-DGS” foi lançada, nesta segunda-feira, na Universidade Sapienza de
Roma, para assinalar o 90° aniversário natalício do pai da independência
de Angola.
A
apresentação do livro, promovida pela embaixada de Angola na Itália no
quadro da jornada do herói nacional, foi feita pelo general Mbeto
Monteiro Traça, da Fundação Agostinho Neto, secundado pelos professores
italianos Simone Celani, da Sapienza, e Alessandro Seixas da
Universidade de Florença, que abordaram o tema “A literatura angolana no
ambiente académico italiano”.
Antigo
guarda-costas e secretário de Agostinho Neto, o General Mbeto Traça
disse que a história só é de facto história quando é verdadeira e a de
Agostinho Neto não tem versões corrigidas, pois apesar das suas
convicções politicas ideológicas Neto manteve sempre a sua independência
e do Movimento que dirigia.
“O
impacto do desaparecimento físico de Neto foi avassalador mas não foi
por muito tempo. O sentimento de orfandade e o desespero tiveram que ser
ultrapassados rapidamente, não para operar uma substituição possível,
mas sim uma substituição necessária, e foi com José Eduardo dos Santos,
como novo Presidente e novo Comandante-em-chefe que o país prosseguiu a
rota definida por Neto, e aceite pelos angolanos” - acrescentou.
Na
sua opinião, pode-se abordar a figura de Neto sob diversas formas, como
poeta, médico, estratega, diplomata e estadista, pois ele foi tudo isso
e muito mais.
O
livro, segundo Mbeto Traça, é um exaustivo trabalho levado a cabo por
investigadores, utilizando os documentos da PIDE-DGS que estão
depositados nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa (Portugal). São 5
volumes, com 900 páginas, contendo cada um documentos compilados desde
1949 até 1974.
Os
documentos, recolhidos ao longo de um quarto de século, demonstram como a
polícia secreta portuguesa “vigiou, esquadrinhou, registou,
sistematizou e informou selectivamente a vida de Neto, o MPLA e os
nacionalistas das colonias portuguesas”.
Acrescentou
que a consulta dos documentos contidos nestes 5 volumes, agora
publicados, deitam por terra a teoria e a ideia de que a PIDE/DGS era
uma polícia
uni presente e infalível.
A
apresentação da obra teve lugar na sala dos Órgãos Colegiais do Senado
Académico da Universidade Sapienza de Roma”, a maior universidade
pública da Itália e uma das mais antigas da Europa, na presença
vice-reitor, professor Antonello Biagini, que agradeceu a Embaixada de
Angola e a Fundação Agostinho Neto à preferência pela sua instituição
académica para este acto.
Na
ocasião, o Embaixador Florêncio de Almeida procedeu a oferta simbólica
de alguns exemplares da obra às universidades Sapienza de Roma, de
Florença e de Viterbo e aos embaixadores do Brasil, Cabo Verde, entre
outras personalidades e instituições italianas.
Foram
igualmente distribuídos exemplares da obra Sagrada Esperança, traduzida
para o italiano pelo angolano Pedro Francisco Miguel, professor na
Universidade Italiana de Bari.
O
lançamento do livro encerrou o programa de actividades da embaixada,
que inscreveu a exibição do filme Kilamba, o Guerrilheiro Poeta, de
Orlando Fortunato, e um colóquio-almoço sobre a vida e obra de Agostinho
Neto, bem uma exposição fotográfica que ilustra os principais momentos
da sua vida.
O
colóquio foi moderado pelo primeiro representante do MPLA na Itália e
actualmente professor universitário em França, Manuel Jorge, e contou
com as contribuições da deputada Ângela Bragança, do professor Pedro
Francisco, da jornalista Augusta Conchiglia, do académico Mário Albano,
do realizador cinematográfico Lienello Massobrio e de outros testemunhos
do Brasil, de Cuba e do antigo embaixador italiano em Angola, que
enalteceram a figura de Neto como político, humanista, diplomata,
internacionalista, estadista e homem de letras.
Ao
encerrar a jornada, o embaixador angolano na Itália solicitou o apoio
de todos e das autoridades italianas para que um busto de Agostinho Neto
seja erguido numa das praças de Roma, onde o pai da independência de
Angola exerceu intensa actividade diplomática em prol da libertação do
seu país e de outros povos.

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