sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A batina e o sacerdote

Pelo visto, é a opinião do papa João Paulo II que os que representam sua igreja devem destacar-se no meio da multidão. Sua “Carta Papal Sobre a Disciplina da Vestimenta Eclesiástica” advertiu os sacerdotes, as freiras e os monges de Roma de que se requer deles que usem a veste religiosa como meio de distingui-los ‘do ambiente secular em que vivem’. “Quais emissários de Cristo enviados para anunciar o evangelho”, declarou ele, “temos uma mensagem a transmitir, uma mensagem que é expressa tanto por palavras como por sinais externos”.
O cardeal Ugo Poletti, vigário-geral de Roma, enviou a seguir uma carta de apoio de três páginas aos envolvidos declarando que “o traje religioso, ou a batina, é obrigatório nas celebrações litúrgicas, nas administrações de sacramentos, na pregação (e) é fortemente recomendado na esfera social do ministério pastoral do próprio sacerdote”.
Mas, perguntamos: São a batina ou qualquer outra vestimenta distintiva essenciais para se ‘transmitir a mensagem do evangelho’? Pelo visto, Cristo e seus apóstolos puderam transmitir a mensagem cristã sem se parecerem diferentes de seus irmãos. De fato, Jesus disse que tais ornamentações supérfluas eram uma das falhas dos líderes religiosos dos seus dias: “Praticam todas as suas ações com o fim de serem vistos pelos homens. Com efeito, usam largos filactérios e longas franjas” em seus trajes. Em vez de serem visivelmente diferentes uns dos outros, Jesus frisou que os cristãos têm ‘um só Mestre [Cristo] e todos vós sois irmãos’. Pode-se dizer que o verdadeiro espírito de fraternidade é refletido quando alguns se destacam por usar vestes distintivas? — Mateus 23:3-12, A Bíblia de Jerusalém, católica.

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