Desejo descomedido ou voraz. Tanto o verbo hebraico hha·mádh como o verbo grego e·pi·thy·mé·o significam “desejo”. Às vezes, estas palavras, segundo o contexto, podem transmitir a idéia dum desejo mau, egoísta. A palavra grega ple·o·ne·xí·a significa literalmente “desejo de ter mais” e é usada na Bíblia para denotar “ganância” e “cobiça”. —
A ganância pode manifestar-se no
amor ao dinheiro, no desejo de poder ou lucro, ou na voracidade por
alimento e bebida, sexo ou outras coisas materiais. As Escrituras
advertem os cristãos contra esta característica degradante e ordenam que
eles evitem associar-se com alguém que se chama “irmão” cristão e que
pratica a ganância. (1Co 5:9-11)
Os gananciosos são classificados junto com fornicadores, idólatras,
adúlteros, homens mantidos para propósitos desnaturais, ladrões,
beberrões, injuriadores e extorsores, e, de fato, os gananciosos, em
geral, praticam algumas destas coisas. Quem não se desviar da sua
ganância, não herdará o Reino de Deus. — 1Co 6:9, 10.
Ao condenar conversa tola e
piadas obscenas, o apóstolo Paulo ordena que a fornicação e a impureza,
ou ganância, “não sejam nem mesmo mencionadas entre vós”. Isto pode
significar não somente que tais práticas não devem existir entre os
cristãos, mas também que nem mesmo devem ser assunto de conversa
destinada a satisfazer a carne. —
Manifesta-se em Ações. A
ganância se manifestará em algum ato patente que revelará o desejo
errado ou descomedido da pessoa. O escritor bíblico Tiago nos diz que o
desejo errado, quando se torna fértil, dá à luz o pecado.
O ganancioso, portanto, pode ser identificado pelas suas ações. O
apóstolo Paulo declara que ser ganancioso significa ser idólatra. Tal pessoa, no seu desejo ganancioso, transforma a coisa desejada em
seu deus, colocando-a acima do serviço e da adoração do Criador. —
Aparta de Deus. Os
cristãos saíram dum mundo cheio de todas as formas de má conduta. Paulo
salienta que essas coisas não somente são realizadas, mas também são
buscadas com ganância, avidamente. Aqueles que praticam tais
coisas estão “apartados da vida que pertence a Deus”. Os que se tornam
cristãos verificam que Cristo, seu Exemplo, estava livre de tais coisas,
e, por isso, eles têm de transformar a mente, revestindo-se da nova
personalidade cristã. (Ef 4:17-24) Ao mesmo tempo, vivem no meio de pessoas gananciosas do mundo e têm de
ter cuidado de manter a pureza como iluminadores no mundo. — 1Co 5:9, 10; Fil 2:14, 15.
A avidez de ganho desonesto desqualificaria o homem de ser servo ministerial na congregação cristã.
Visto que tais homens devem apresentar-se à congregação como exemplos,
segue-se que este princípio se aplica a todos os membros da congregação.
Vê-se que isto é verdade especialmente à luz da declaração de Paulo, no
sentido de que pessoas gananciosas não herdarão o Reino. —
Cobiça. Quando a ganância
tem por objetivo conseguir aquilo que pertence a outro, ela se torna
cobiça. Nas Escrituras Gregas Cristãs, usam-se as mesmas palavras gregas
para “ganância” e “cobiça”. Jesus Cristo declarou que a cobiça avilta o
homem
e advertiu contra ela. Acompanhou este aviso com a ilustração do rico
cobiçoso que, ao morrer, não mais tirava proveito ou tinha controle da
sua riqueza, e também estava na condição lastimável de não ser “rico
para com Deus”. (Lu 12:15-21)
Os cristãos são informados de que sua vida “tem sido escondida com o
Cristo” e que, portanto, têm de amortecer os membros do seu corpo com
respeito à cobiça, ao desejo nocivo e a toda a impureza.

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