Terror em Angola
REPÚBLICA DE ANGOLA
UNIÃO NACIONAL PARA A INDEPENDÊNCIA TOTAL DE ANGOLA
U N I T A
COMITÉ PERMANENTE DA COMISSÃO POLÍTICA
COMUNICADO DO COMITÉ PERMANENTE
O Comité Permanente da Comissão Politica da UNITA reuniu de urgência, a
3 de Junho de 2013, em Luanda, sob a direcção do seu Presidente, Isaías
Samakuva, para analisar os graves acontecimentos ocorridos no bairro
Paraíso, comuna de Kikolo, no município de Cacuaco, na noite de sábado, 1
de Junho e madrugada de domingo, 2 de Junho de 2013 levando ao
conhecimento da opinião pública nacional e internacional, o seguinte:
1. Unidades da Polícia Nacional, em operações no bairro Paraíso,
fizeram buscas nocturnas porta a porta, e assassinaram friamente, nas
suas residências, os membros da UNITA e dirigentes do Comité Municipal
de Cacuaco, nomeadamente o Inspector Municipal Filipe Satchova
Chakussanga e o Secretário Comunal de Kikolo, António Zola Kamuku.
2. A UNITA, parceira dos Acordos de Paz e da construção da democracia
angolana, não pode entender que unidades policiais, com a missão
constitucional de assegurar a ordem pública e a segurança de todos,
cometa actos criminosos contra cidadãos angolanos, apenas pelo facto de
pertencerem à UNITA. Tanto mais grave que essas unidades terão recebido
ordens superiores para a realização dessas execuções sumárias, em
flagrante violação à Constituição.
3. O Comité Permanente da
Comissão Política da UNITA manifesta profundamente a sua preocupação
pelo ciclo crescente de actos de intolerância politica, que se
consubstanciam em assassinatos políticos selectivos, prisões
arbitrárias, destruição de símbolos partidários, espancamentos de seus
quadros e dirigentes que continuam a ocorrer em todo o país. São exemplo
o assassinato, em Maio último, no Município de Lomduimbale, província
do Huambo, de Francisco Epalanga; as prisões e espancamentos de 10
militantes, entre os quais 7 senhoras, 2 das quais em estado de
gravidez, na Província da Huila e na última semana de Maio; os
espancamentos, em Luanda, na mesma semana, de membros da JURA que se
encontravam a frequentar a Escola de Quadros. Todos estes actos
praticados por elementos identificados e nunca responsabilizados pelas
instâncias competentes para o efeito. Tudo acontece ante o silêncio e a
inércia do Executivo, chefiado pelo Presidente da República.
4.
Face ao clima de medo e agitação instalados no país, em consequência
destes actos, o Comité Permanente apela à população em geral, e aos
membros da UNITA em particular, para manterem a serenidade e confiança
na irreversibilidade da paz e das suas conquistas.
5. O
Comité Permanente tomou a decisão de processar judicialmente os autores,
já identificados, dos assassinatos dos seus dirigentes em Luanda e no
Huambo.
6. O Comité Permanente tomou igualmente
conhecimento do assassinato, de três polícias no mesmo bairro, por
indivíduos não identificado; lamenta e condena a perda de vidas de
cidadãos ao serviço do Estado angolano, cujas mortes se inscrevem no
quadro da criminalidade e insegurança crescentes no nosso país.
7. O Comité Permanente da Comissão Política reafirma o compromisso da
UNITA com a Paz e com o processo de democratização do país, continuando
empenhado na busca contínua de diálogo inclusivo, mas condena firmemente
a prática reiterada de execuções sumárias, pelo que exige de todas as
instituições do Estado o escrupuloso respeito pelas Leis da República de
Angola.
Luanda, 3 de Junho de 2013
O COMITÉ PERMANENTE
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