sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Desencontros com a vida
Amar a vida, com o coração alvoraçado pelo verde verde das plantas junto à água do riacho que murmura baixinho navegando solitário, até ao rio mais próximo. Amar a vida e ter medo de viver. Bastante controverso, todavia real. O sentimento de agonia e medo, enjoa-me... Quero ser forte e corajosa! A minha fortaleza é onde me escondo, onde ninguém pode encontrar-me, até que tenha coragem de reaparecer. Eu amei muito... Também errei muito... Tive amores tão fortes como raízes profundas, mas não sabia como fazer para permanecer neles... Fui incompreendida, também irracional e pouco razoável muitas vezes. Eu era muito jovem e muito eu, tinha excessivo sentido de responsabilidade. Deixei-me afundar por causa da minha falta de sabedoria, também falta de maldade. Quando a maldade se instalou ao meu lado, eu não vi... consequentemente caí. Todas as coisas me acontecem digo! Exactamente, todas as coisas acontecem a qualquer um. Olho para o lado e vejo olhos desnorteados, sorrisos amargurados e lágrimas contidas, oh! se eu pudesse ajudar sim, se eu pudesse ajudar... Agora não ajudo nem a mim mesma. Pus os meus pés no chão, realizei meu opróbrio, gritei alto a dor que sentia dentro do meu peito, as lágrimas vertidas pelo desaire dum amor perdido, duma vida que vi perecer, dum pássaro que deixou de me falar... Oh! o meu mundo está longe de mim, vim para cá e fui para lá, tenho um desencontro com a vida! Oh! Quem dera querer e poder amar a vida mais...
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