sexta-feira, 18 de abril de 2014

Congresso de Distrito que marcou época

Em 22 de outubro de 1991, fez-se ao ministro da justiça um requerimento de registro da associação religiosa das Testemunhas de Jeová em Angola. Apresentou-se também uma notícia para divulgação pela imprensa, para tornar esse requerimento de conhecimento público.
Logo no dia seguinte, o Jornal de Angola publicou um artigo que, em parte, dizia: “Segundo um porta-voz das Testemunhas em Angola, há otimismo quanto ao reconhecimento da Associação e o acolhimento preliminar do Ministério da Justiça foi satisfatório.” O artigo contava também a história das Testemunhas de Jeová em Angola, bem como seus antecedentes em países como Portugal e Moçambique, onde haviam sido suspensas as proscrições da atividade das Testemunhas de Jeová.
Pela primeira vez em Angola houve publicidade favorável sobre as Testemunhas de Jeová! Vários dias depois, o diretor do jornal disse que recebeu muitos telefonemas, mesmo de pessoas influentes, congratulando-o pela publicação do artigo.

Em 10 de abril de 1992, o diário oficial do governo, o Diário da República, declarava que a Associação das Testemunhas de Jeová tinha sido legalmente aprovada. Com grande entusiasmo, as Testemunhas de Jeová decidiram aproveitar ao máximo as oportunidades que isto lhes proporcionava. Em pouco tempo, alcançou-se um auge de 18.911 publicadores — um aumento de 30% acima da média do ano anterior. Os 56.075 estudos bíblicos domiciliares — três estudos em média por publicador — indicavam uma grande colheita à frente.

A violência não era só coisa do passado. Depois das eleições de setembro de 1992, o país foi de novo dilacerado por uma guerra civil. Intensos combates aconteceram em 30 de outubro em cinco cidades principais: Lubango, Benguela, Huambo, Lobito e especialmente Luanda, onde se relatou que 1.000 pessoas foram mortas nos primeiros dias de combate.

Os hospitais ficaram superlotados, muito além de sua capacidade. Cadáveres jaziam nas ruas. As epidemias se alastraram. Por várias semanas não havia energia elétrica, nem alimentos, nem água. Prevaleciam roubos e saques. Grande parte da população civil ficou traumatizada.

Diversas Testemunhas de Jeová em Luanda foram mortas; outras foram dadas como desaparecidas. Quando chegaram a Portugal relatórios sobre as circunstâncias precárias de nossos irmãos, a congênere ali despachou imediatamente suprimentos de alimentos e remédios.

Durante esse período de luta entre as facções políticas, a estrita neutralidade das Testemunhas de Jeová foi notada pelo público. Foram ouvidos comentários favoráveis sobre o fato de que eram os únicos que não se envolviam na política e não tomavam partido de nenhum lado da luta pelo poder. Pessoas interessadas começaram a abordar as Testemunhas nas ruas e a pedir-lhes estudos bíblicos.


Em janeiro de 1993, a situação em Luanda ficou um pouco mais calma, e foi possível para muitos publicadores de várias partes do país assistir na capital aos Congressos de Distrito “Portadores de Luz”. Alguns chegaram de grandes distâncias a pé. Uma irmã da província de Huambo caminhou sete dias com seus quatro filhos pequenos, tendo o mais velho apenas seis anos. Ela chegou exausta, mas com a feliz expectativa de um banquete espiritual que logo ela e seus filhos iam usufruir.

O Pavilhão da Feira Industrial foi alugado por duas semanas consecutivas. Portugal forneceu os geradores e o equipamento de som. Apesar de os irmãos convidarem apenas os que freqüentavam regularmente as reuniões, o pavilhão ficou superlotado em ambos os congressos. A assistência conjunta foi de 24.491 pessoas. Era a primeira vez que os irmãos em Angola podiam usufruir um programa completo de três dias de congresso de distrito, incluindo o drama. Foram batizados 629 novos ministros nesses congressos, e os que compareceram ficaram muito contentes de receber a brochura Viva Para Sempre em Felicidade na Terra! nas línguas kikongo, kimbundu e umbundo, bem como em português a brochura Importa-se Deus Realmente Conosco?.

As autoridades governamentais observaram de perto a excelente conduta das Testemunhas presentes. Era incomparavelmente grande o contraste com o que estava ocorrendo em Luanda. No dia em que começou o primeiro congresso, irrompeu em vários bairros da cidade violência contra os refugiados que retornavam. Muitos foram mortos e houve centenas de feridos. Havia saques sem restrição. Casas foram destruídas, até mesmo as de alguns irmãos. Essa nuvem negra de renovada violência tornou mais marcante ainda o contraste com a luz espiritual usufruída pelos servos de Jeová. — Isa. 60:2.

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