Em 22 de outubro de 1991,
fez-se ao ministro da justiça um requerimento de registro da associação
religiosa das Testemunhas de Jeová em Angola. Apresentou-se também uma
notícia para divulgação pela imprensa, para tornar esse requerimento de
conhecimento público.
Logo no dia seguinte, o Jornal de Angola publicou um artigo que, em parte, dizia: “Segundo um porta-voz das Testemunhas
em Angola, há otimismo quanto ao reconhecimento da Associação e o
acolhimento preliminar do Ministério da Justiça foi satisfatório.” O
artigo contava também a história das Testemunhas de Jeová em Angola, bem
como seus antecedentes em países como Portugal e Moçambique, onde
haviam sido suspensas as proscrições da atividade das Testemunhas de
Jeová.
Pela primeira vez em Angola
houve publicidade favorável sobre as Testemunhas de Jeová! Vários dias
depois, o diretor do jornal disse que recebeu muitos telefonemas, mesmo
de pessoas influentes, congratulando-o pela publicação do artigo.
Em 10 de abril de 1992, o diário oficial do governo, o Diário da República, declarava que a Associação das Testemunhas
de Jeová tinha sido legalmente aprovada. Com grande entusiasmo, as
Testemunhas de Jeová decidiram aproveitar ao máximo as oportunidades que
isto lhes proporcionava. Em pouco tempo, alcançou-se um auge de 18.911
publicadores — um aumento de 30% acima da média do ano anterior. Os
56.075 estudos bíblicos domiciliares — três estudos em média por
publicador — indicavam uma grande colheita à frente.
A violência não era só coisa do
passado. Depois das eleições de setembro de 1992, o país foi de novo
dilacerado por uma guerra civil. Intensos combates aconteceram em 30 de
outubro em cinco cidades principais: Lubango, Benguela, Huambo, Lobito e
especialmente Luanda, onde se relatou que 1.000 pessoas foram mortas
nos primeiros dias de combate.
Os hospitais ficaram
superlotados, muito além de sua capacidade. Cadáveres jaziam nas ruas.
As epidemias se alastraram. Por várias semanas não havia energia
elétrica, nem alimentos, nem água. Prevaleciam roubos e saques. Grande
parte da população civil ficou traumatizada.
Diversas Testemunhas de Jeová
em Luanda foram mortas; outras foram dadas como desaparecidas. Quando
chegaram a Portugal relatórios sobre as circunstâncias precárias de
nossos irmãos, a congênere ali despachou imediatamente suprimentos de
alimentos e remédios.
Durante esse período de luta
entre as facções políticas, a estrita neutralidade das Testemunhas de
Jeová foi notada pelo público. Foram ouvidos comentários favoráveis
sobre o fato de que eram os únicos que não se envolviam na política e
não tomavam partido de nenhum lado da luta pelo poder. Pessoas
interessadas começaram a abordar as Testemunhas nas ruas e a pedir-lhes
estudos bíblicos.
Em janeiro de 1993, a situação
em Luanda ficou um pouco mais calma, e foi possível para muitos
publicadores de várias partes do país assistir na capital aos Congressos
de Distrito “Portadores de Luz”. Alguns chegaram de grandes distâncias a
pé. Uma irmã da província de Huambo caminhou sete dias com seus quatro
filhos pequenos, tendo o mais velho apenas seis anos. Ela chegou
exausta, mas com a feliz expectativa de um banquete espiritual que logo
ela e seus filhos iam usufruir.
O Pavilhão da Feira Industrial
foi alugado por duas semanas consecutivas. Portugal forneceu os
geradores e o equipamento de som. Apesar de os irmãos convidarem apenas
os que freqüentavam regularmente as reuniões, o pavilhão ficou
superlotado em ambos os congressos. A assistência conjunta foi de 24.491
pessoas. Era a primeira vez que os irmãos em Angola podiam usufruir um
programa completo de três dias de congresso de distrito, incluindo o
drama. Foram batizados 629 novos ministros nesses congressos, e os que
compareceram ficaram muito contentes de receber a brochura Viva Para Sempre em Felicidade na Terra! nas línguas kikongo, kimbundu e umbundo, bem como em português a brochura Importa-se Deus Realmente Conosco?.
As autoridades governamentais
observaram de perto a excelente conduta das Testemunhas presentes. Era
incomparavelmente grande o contraste com o que estava ocorrendo em
Luanda. No dia em que começou o primeiro congresso, irrompeu em vários
bairros da cidade violência contra os refugiados que retornavam. Muitos
foram mortos e houve centenas de feridos. Havia saques sem restrição.
Casas foram destruídas, até mesmo as de alguns irmãos. Essa nuvem negra
de renovada violência tornou mais marcante ainda o contraste com a luz
espiritual usufruída pelos servos de Jeová. — Isa. 60:2.

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