Um coração aflito e cheio de tristeza pode ser consolado. Uma mente
perturbada por traumas consecutivos da infância aos dias de hoje, também
pode ser tratada com o consolo e o amor dos familiares e dos amigos. A
sociedade tornou-se uma instituição individualizada onde outros não têm
mais lugar. O clã familiar desmoronou-se a nível global. A solidão faz parte das vidas de quase todos na face da terra.
Qual
corrente de água, espalho as lágrimas da dor da solidão, corrente
abaixo, tornando as suas margens frutíferas, verdes, desde donde se
avista a beleza das florestas que choram comigo, com o orvalho, pela manhã. Qual solo desértico, minhas lágrimas criaram um oásis,
desde donde, viajantes de lugares longínquos se acercam para saciar a
sede da água, o desejo de não estar sós, buscando o consola da
solidariedade.
Quando o clã familiar está desfeito, quanto
mais o clã social a nível global. Inclui desde o pequeno funcionário ao
mais alto Governante. A amizade e a solidariedade não existe mais.
Ninguém confia em mais ninguém. Os povos que habitam a terra estão
devastados e gemem de dor. A fome é uma pandemia. Doenças outrora
erradicadas são devoradoras de homens (género). A injustiça é o pior.
Para onde quer que vaiamos, ninguém corresponde a um apelo de
solidariedade. Respondem facilmente a um convite para uma festa, um
pagode, coisas indecentes, do que ao chamamento para fazer o bem ou no
mínimo respeitar isso.
O nó na garganta que jamais me abandona,
o desespero de saber que fui vilmente usada, despojada de dignidade,
deitada ao lixo... ( Não devia acontecer, buscando cumprir a lei de Deus
e dos homens Mateus 19:9). Saber que agora sou como quem tem lepra por já não ter o mesmo nível de vida,
que as pessoas em geral fogem da minha companhia por temerem que eu
tenha alguma necessidade e formule um pedido. Também, já não sou achada
digna de entrar em suas casas e tão pouco de solicitar uns escassos
minutos para a mãe.
Não posso mudar nada neste momento. Mostro gratidão aos amigos e parentes que prestaram ajuda em tempos de agonia maior.
Quando não existem caminhos, a agonia não diminui, cresce. Ninguém tem
obrigações para comigo. A luta tenaz para conseguir manter-me à tona é
terrível. O medo que sinto é demais... Assusta, viver com medo todos os dias do ano. Penso, já é de manhã, quem dera já fosse noite.
Escrevi
algumas mensagens de correio electrónico que deploro, humilharam-me
ainda mais, por não ter havido respostas, nem sim, nem não. A minha
cabeça está feita de águas, enchem baldes que aproveito para
apropriadamente a usar, limpando o chão já limpo da minha casa asseada. Os
baldes ficam avermelhados por causa do sangue que contém cada lágrima e
que representa a dor, a impotência e o conhecimento de que nenhum ser
de natureza superior humano fará alguma coisa em prol da minha
tranquilidade. O único amigo que temos é Deus, Infelizmente não é Ele
que governa a humanidade agora.

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