Sem palavras, o coração batendo rápido com ritmo incerto, vertigens e aquela agonia de olhar um corredor escuro sem fim. No pano escuro da viragem da cena da vida, vejo o reflexo da minha imagem, distorcida pela assiduidade dos pesadelos tortuosos,
que persistem visitar-me dia após dia. Sem palavras, persisto em
visualizar o agora turbulento e o amanhã incerto. Sem palavras, em
negação constante, procuro soluções. As soluções que encontro são as não soluções da impotência. Sem palavras, quero reduzir a nada meus compromissos. Sem palavras, eu sofro, porque eu não queria que fosse assim. Queria ter podido honrar meus compromissos assumidos. Sem palavras, eu vivo sem alegria, em constante sofrimento, buscando soluções. As soluções que encontro são as não soluções da impotência.
Na vida caminho só.
Meu amanhã, agora curto, é vazio. Sem palavras, procuro e não encontro.
Sem palavras defino a ausência pela força das circunstâncias. Sem
palavras, na agonia de olhar um corredor escuro e sem fim não há esperança, nem consolo. Na vida caminho só. Meu amanhã não existe. Vivo os últimos dias no corredor da morte.
Enquanto
aguardo o meu último suspiro, quero pensar, que amei sem reservas:
amor maternal, amor filial, amor fraternal, amor romântico e amor
agape, todos vivi um a um intensamente porque sou intensa.
Enquanto aguardo o meu último suspiro, quero acreditar: que as pessoas
que amei, possam amar de volta por apenas pedir desculpa, ou dizer-me
não faz mal por ora, ou eu espero...
Vivo no corredor da morte. Hoje tudo acabará. Meus últimos pensamentos vão para aqueles que acreditaram e a quem eu peço desculpa. Sou a folha laranja caída no Outono da vida.

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