Eu vou partir e tu… não tenhas medo faz o que eu
vou ter saudade de não ter feito!
O mal e o bem andam juntos, na verdade da alegria
nasce a tristeza. A lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, as
agonias nascem dos erros que impedem o sucesso. No silêncio das lágrimas... A
angústia é indisfarçável. A tristeza é profunda. A esperança foi minha tristeza
não vinda das angústias... Com lágrimas enlameadas de sangue surpreendo-me
triste, nostálgica. Sou forte outra vez no silêncio… preciso fazer o que não
sou capaz de fazer.
A luta e a perseverança, mesmo contra inúmeras
adversidades, por melhores condições de vida, devem ser um exemplo para as
pessoas que sentem que suas ações são infrutíferas. Quando pensar nas suas
ações como não fazendo diferença, lembre-se que são pequenas gotas que
constroem oceanos. Às vezes, ao longo de nossa caminhada o sorriso é algo
desconhecido que, com pressa, se transforma em lágrimas indesejáveis ou em
choro compulsivo que, com os nervos, se torna numa gargalhada… tiremos sumo de
cada pequena laranja para estar vitaminados com a doçura do amor que, ao
contrário do ódio e da impotência, nos fazem esquecer a dor que dói dorida em
nosso ser.
Vou partir sem ressentimentos porque amei muito,
ao ponto de ser incompreendida! Vou partir e levo a saudade dos rios que não
cruzei, dos lagos que não pisei, da chuva que não apanhei, da lama que não
amassei para brincar. Vou partir com saudade do mar azul esverdeado com costas
castanhas, vermelhas e verdes. Vou partir levando saudade de olhos negros de
açafrão e castanhos de madeira. Vou partir com saudade de não ter abraçado mais,
beijado mais, vivido mais. Vou partir com saudade de ter deixado para amanhã
tudo o que afinal era mais importante: ouvir um passarinho, observar uma
orquídea, bater num mosquito e acariciar com os olhos uma borboleta ou uma
joaninha.
Milu Ramalho

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