sexta-feira, 4 de março de 2016

Eu vou partir







 Eu vou partir e tu… não tenhas medo faz o que eu vou ter saudade de não ter feito!

O mal e o bem andam juntos, na verdade da alegria nasce a tristeza. A lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, as agonias nascem dos erros que impedem o sucesso. No silêncio das lágrimas... A angústia é indisfarçável. A tristeza é profunda. A esperança foi minha tristeza não vinda das angústias... Com lágrimas enlameadas de sangue surpreendo-me triste, nostálgica. Sou forte outra vez no silêncio… preciso fazer o que não sou capaz de fazer.
A luta e a perseverança, mesmo contra inúmeras adversidades, por melhores condições de vida, devem ser um exemplo para as pessoas que sentem que suas ações são infrutíferas. Quando pensar nas suas ações como não fazendo diferença, lembre-se que são pequenas gotas que constroem oceanos. Às vezes, ao longo de nossa caminhada o sorriso é algo desconhecido que, com pressa, se transforma em lágrimas indesejáveis ou em choro compulsivo que, com os nervos, se torna numa gargalhada… tiremos sumo de cada pequena laranja para estar vitaminados com a doçura do amor que, ao contrário do ódio e da impotência, nos fazem esquecer a dor que dói dorida em nosso ser.
Vou partir sem ressentimentos porque amei muito, ao ponto de ser incompreendida! Vou partir e levo a saudade dos rios que não cruzei, dos lagos que não pisei, da chuva que não apanhei, da lama que não amassei para brincar. Vou partir com saudade do mar azul esverdeado com costas castanhas, vermelhas e verdes. Vou partir levando saudade de olhos negros de açafrão e castanhos de madeira. Vou partir com saudade de não ter abraçado mais, beijado mais, vivido mais. Vou partir com saudade de ter deixado para amanhã tudo o que afinal era mais importante: ouvir um passarinho, observar uma orquídea, bater num mosquito e acariciar com os olhos uma borboleta ou uma joaninha.

Milu Ramalho

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