As minhas memórias levam-me outra vez à meninice. Eu queria sentir o beijo que os meus primos sentiam. Sentava-me a um canto. Tal como acontece hoje, vinham-me as lágrimas aos olhos. Queria tanto ter uma casa e uma família, semelhante ao meu sonho. No meu sonho havia paz, ninguém gritava, ninguém se contradizia ou desculpava seus erros...
Sonhei com beijos que eu podia ver. Sonhei com pessoas que não eram iguais aos meus sonhos na vida real. Fui sempre assim. Rejeitada. Quero ser feliz. Quero acordar de manhã e saber que acordei para mais um dia. Mais um dia, é uma benignidade de Deus.
Para mim, hoje, nada é novo. Todo o sofrimento que tenho neste preciso momento, eu tive desde a meninice. Quando será o fim para mim? Na realidade sempre pensei estar no fim? Eu queria que me amassem. Paguei o meu preço por pensar que era odiada, causa... simplesmente não ser eu ninguém. Esta nobody, cresceu. Esta nobody realizou desejos, cumpriu promessas. Esta nobody está tonta, como se tivesse chegado da lua.
Eu queria expressar gratidão a um amigo, que era amigo de um pai já falecido. Gratidão por ter estado presente. Não censuro a falta da sua presença agora... Tudo mudou. Se não mudou para quê lembrar de mim?
O amor da minha vida, é o mais amargo. O meu sonho de me realizar como empresária morreu. Ademais, o meu sonho de me sentir pessoa fugiu. Eu tive um sonho, tal como Luther King que se faria justiça com os que estão desprotegidos.

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