Certa senhora teve este problema. O seu amor dizia-lhe que a amava, mas não confiava nela. Falava-lhe de modo calmo, mas rude. Tens para aí muitos homens. Deves andar em hotéis com gajos. Até mesmo lhe disse suspeitar, que ela tivesse uma relação com alguém impensável. Mulher sensível e boa. Boa mãe, boa amiga...
Sua vida era um ir para lá e para cá. Os seus sentimentos feridos, suas lágrimas salgadas, ficavam sulcadas em seu rosto cansado. Todos tinham férias, excepto ela. Todos tinham uma casa no campo e outra no litoral, ela não. De mãos vazias, sentada escrevendo suas estórias, amava no lugar de odiar.
Este amor que arranca sua alma, estremece seu corpo, fá-la tropeçar por ser atrapalhado... Quanto mal ainda, este amor a pode magoar. Até quando ela se deixará magoar?
Por falta de apoio, ela fez muitas coisas insensatas. Desejou a morte. Não consegue sorrir. A perspectiva de alguma resolução fica para trás. O coração despedaçado, pensa na alegria da recompensa de ver um sinal, uma luz ao fundo do túnel. A luz se apaga. Talvez hoje seja seu último dia.

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