Penso nos dias da minha infância, em como foram deliciosamente descuidados. Certo dia deixaram de ser assim, haviam mudado as circunstâncias da vida. Tive que fazer a primeira retrospectiva da minha curtíssima existência e pela primeira vez senti apreensão. Naquele tempo não entendi o meu estado. Como seria minha vida sem meu pai?
Quando fui adolescente era sem rei nem roque, no sentido de que por falta de auto-estima não era muito aplicada em nada. Era rebelde, irreverente, buscava briga... Poderia ter vindo a ser uma delinquente. Enfim, não está nos meus genes. Fiz uma segunda retrospectiva depois do serviço militar.
De que havia valido ter posto minha vida em perigo?
Mais de trinta anos após meu casamento, deu-me o sentimento e faço outra e outra e outra retrospectiva. Valeu a pena? Não obstante o que eu vá ou não responder, estas retrospectivas mostram a capacidade duma mulher madura, de analisar com mais objectividade seus problemas, seus traumas e suas dúvidas, canalizando seu sofrimento, suas lágrimas e suas alegrias, por forma a reencontrar a sua personalidade perdida por muitos anos.
Valeu a pena querer ajustar-me a meu cônjuge?
Tudo para nada.... Para viver tens que escolher os cogumelos bons. Se escolhes os maus morres!

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