domingo, 7 de dezembro de 2014

Olhando pela janela

Olhando pela janela, vejo o sol levantar-se e o dia escurecer. O medo que reside em mim que afasto com fervorosas orações, persiste em atormentar-me. Eu queria ser igual a todo o mundo. Todavia eu não sou. Tenho recaídas quando menos espero e fico impotente por tantos dias que podem tornar-se  meses. Ah! Como sinto a dor de ser assim! Eu queria não ser como sou. Sinto vergonha de mim, da situação que vivo... Sinto-me indigna da casa do meu Deus e de estar perto dos seus servos fiéis. Meia volta fico derrubada como se houvesse sido atropelada por um camião. Olhando pela janela sem ver, eu constato que vivo sem viver, choro sem chorar, medito de modo baralhado e sinto um medo permanente. Ah! Quem me dera ser diferente. Mas sou como uma cascata que escorre montanha abaixo para qualquer rumo impreciso e distante, divagando na penumbra  do medo, escutando o som inaudível do sofrimento. Ah! Só queria ser igual a todo mundo.

Olhando pela janela eu vejo sorrisos, abraços e beijos. Olhando pela janela eu vejo luz e vejo escuridão. Olhando pela janela não me vejo lá fora e procuro-me, perscrutando até onde a mente e a vida pode alcançar. Há sol, há vida. Há noite, há sono. Dia vai e dia vem. Queria tanto dominar a dor e o nó que sinto na garganta. Sou uma como uma folha amarela caída no Outono. Sou como as folhas que vejo caídas, amarela, húmidas, geladas...

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