Olhando pela janela, vejo o sol levantar-se e o dia escurecer. O medo
que reside em mim que afasto com fervorosas orações, persiste em
atormentar-me. Eu queria ser igual a todo o mundo. Todavia eu não sou.
Tenho recaídas quando menos espero e fico impotente por tantos dias que
podem tornar-se meses. Ah! Como sinto a dor de ser assim! Eu queria não
ser como sou. Sinto vergonha de mim, da situação que vivo... Sinto-me
indigna da casa do meu Deus e de estar perto dos seus servos fiéis. Meia
volta fico derrubada como se houvesse sido atropelada por um camião.
Olhando pela janela sem ver, eu constato que vivo sem viver, choro sem
chorar, medito de modo baralhado e sinto um medo permanente. Ah! Quem me
dera ser diferente. Mas sou como uma cascata que escorre montanha
abaixo para qualquer rumo impreciso e distante, divagando na penumbra
do medo, escutando o som inaudível do sofrimento. Ah! Só queria ser
igual a todo mundo.
Olhando pela janela eu vejo sorrisos,
abraços e beijos. Olhando pela janela eu vejo luz e vejo escuridão.
Olhando pela janela não me vejo lá fora e procuro-me, perscrutando até
onde a mente e a vida pode alcançar. Há sol, há vida. Há noite, há sono.
Dia vai e dia vem. Queria tanto dominar a dor e o nó que sinto na
garganta. Sou uma como uma folha amarela caída no Outono. Sou como as
folhas que vejo caídas, amarela, húmidas, geladas...

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