quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sentimentos de escravo

Sentimentos de escravo

Certas culturas do Oriente, tais como o algodão e a cana-de-açúcar, tornaram-se populares no Novo Mundo, ao passo que a batata sul-americana tornou-se, por fim, importante fonte de nutrição para muitas famílias européias. Este intercâmbio de produtos agrícolas não proporcionou apenas maior variedade à cozinha internacional; resultou numa melhora fundamental da nutrição, o que contribuiu para o enorme crescimento da população mundial nos séculos 19 e 20. Mas houve um lado negro na revolução agrícola. Os colonos europeus, em geral, encaravam os nativos como nada mais que animais dotados da fala, um preconceito que foi usado para justificar a sua virtual escravização. Embora a bula papal de 1537 concluísse que os “índios” eram deveras “homens verdadeiros dotados de alma”, isto pouco adiantou para deter a exploração. Conforme salientou um recente documento do Vaticano, “a discriminação racial começou com a descoberta da América”.  As novas culturas comerciais, tais como o algodão, o açúcar e o tabaco, podiam tornar ricos os colonos, contanto que tivessem suficiente mão-de-obra barata para trabalhar em suas terras. E a fonte óbvia de força de trabalho era a população nativa.
O tratamento severo, junto com a propagação de “doenças européias”, dizimou a população das Américas. Chegou a diminuir em 90 por cento, segundo certos cálculos, no espaço de cem anos. No Caribe, os nativos foram quase exterminados. Quando o povo local não mais podia ser recrutado, os proprietários de terras procuraram outra fonte de trabalhadores agrícolas fortes e saudáveis. Os portugueses, que estavam bem estabelecidos na África, ofereceram uma solução sinistra: o comércio de escravos.

Mais uma vez, o preconceito racial e a ganância infligiram terrível tributo de sofrimento. Até o fim do século 19, comboios de navios negreiros (principalmente britânicos, franceses, holandeses e portugueses) já haviam transportado provavelmente mais de 15 milhões de escravos africanos para as Américas!

Com suas implicações raciais, não é de surpreender que os nativos do continente americano sintam-se profundamente ressentidos com a descoberta da América pelos europeus. Certo índio norte-americano declarou: “Colombo não descobriu os índios. Nós o descobrimos.” De modo similar, os índios mapuche, do Chile, protestam que ‘não houve um descobrimento real ou uma evangelização autêntica, mas, antes, uma invasão de seu território ancestral’.

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